A Laranja Mecânica

Capa Laranja MecânicaApesar de inúmeras tentativas em assistir o grande clássico Laranja Mecânica de 1971, só o consegui por completo ontem, ao encontrar o título em DVD remasterizado em uma locadora. É claro que não podia deixar de alugá-lo, e após uma leitura crítica (do filme, e não do livro homônimo (1962) do escritor britânico John Anthony Burgess), teço alguns comentários.

A obra retrata a questão da violência, representada através de Alex, o líder de uma gangue que nas noites londrinas aterroriza as pessoas, espancando mendigos, invadindo casas, estuprando, tudo pelo simples prazer em ver o sofrimento alheio, quando então a estória começa a mudar a partir do assassinato de uma pessoa, e a traição do líder Alex pelos seus comparsas.

Alex é condenado a 14 anos de reclusão, porém um novo método de tratamento disciplinar, incentivado pelo Estado, o chamado “Método Ludovico”, promete ressocializar o indivíduo em apenas 15 dias. Alex é a cobaia desse experimento.

Procedimentos do Método LudovicoO tratamento consiste em aplicações de hormônios, seguidas de sessões compulsórias de filmes com cenas de violência das mais diversas maneiras. Diante disso o tratamento prevê inibir os sentimentos de violência do paciente, causando-lhe náuseas, vômitos e dores a cada vez que esses sentimentos vêm a tona.

Ao ser solto, e reconhecido aos poucos por suas vítimas, Alex começa a pagar por todos seus crimes. Começa a sentir o peso da vingança e da violência, antes aplicada e agora sentida por ele.

Em suma, a obra tenta mostrar o poder que o Estado pode exercer sobre o povo, através de métodos que ora inibem a violência através de outra violência contra o ser humano, tirando-lhe a opção de escolha, uma vez que seus atos são repremidos de forma violenta pelos traumas causados pelo tratamento. Ou seja, a consciência do indivíduo continua a mesma, a vontade e o desejo pelo mal persistem, não se concluem apenas devido ao mal estar físico gerado.

Mostra também uma propaganda governamental enganosa e irresponsável, fazendo com que todos creiam que a solução para a criminalidade está iminente, porém não passa de uma banalização da violência, onde em uma sociedade desorientada, e de mãos atadas, não vê alternativas, senão combater violência com a mesma moeda, e em vão.

Qualquer semelhança com que vivemos hoje em dia é mera coincidência. Assistam o filme.

Livros que li em 2007

LiteraturaPois bem amigos, 2007 não foi um ano muito produtivo para a leitura, ou melhor, para a literatura em si. Como último ano de minha faculdade, as atenções estavam voltadas para a tão temida “monografia”. Que por sinal não a temia, mas a vontade de fazer algo bem feito me tomou muito tempo, fazendo com que a literatura ficasse de lado.

Vou aqui elencar alguns títulos que consegui ler no ano passado, a com o passar dos dias irei comentar sobre cada um. Deixe-me ver se lembro:

Grande Sertão Veredas (João Guimarães Rosa), O livreiro de Cabul (Asne Seierstad), Eu sou o livreiro de Cabul (Shah Muhammad Rais), Mulheres de Cabul (Harriet Logan), Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), Crônica da Casa Assassinada (Lucio Cardoso), El Túnel (Ernesto Sábato), Memórias de minhas putas tristes (Gabriel García Márquez), Formação Econômica do Brasil (Celso Furtado).

Bom, sei que deve estar faltando alguma coisa, mas os que lembro são esses. Como podem perceber, me fascinei pela temática afegã, uma vez já despertada através do O Caçador de Pipas, no entanto me envolvi um pouco mais, lendo os três titulos relacionados acima.

Crônica da Casa Assassinada também foi um ótimo titulo, recomendado pela minha ex-professora de Espanhol, muito boa leitura, daquelas que te prende e você não consegue parar de ler. Um romance com toque de suspense e idas e vindas na estória.

Como melhor leitura, destaco Grande Sertão Veredas sem dúvidas. Nunca tinha lido essa beleza de obra, porém sempre tive vontade, a matei em meu anivérsario, quando o ganhei. Ficou guardado até as férias de julho, quando então pude conhecer a riqueza do vocabulário e dos costumes nordestinos da época, expressos detalhadamente por Guimarães Rosa.

É isso, em breve comento mais alguns, e solto a lista dos livros que estão na estante esperando leitura. Ah, o marcador de livros hoje está em A menina que roubava livros (Markus Zusak).

Pierrot, Arlequim e Colombina

Amanhã é terça-feira de Carnaval, e em meio a tanta folia novamente aparecem as já conhecidas e tradicionais personagens: Pierrot, Arlequim e Colombina. Porém diante da dúvida perante a origem dos mesmos, resolvi fazer uma pequena busca para poder aqui contar um pouco dessa estória.Pierrot (Pablo Picasso - 1918)

Pois bem, a origem remonta o século XVI, quando na Itália eram comuns grupos de teatro populares, realizando apresentações pelas ruas, tendo como repertório peças de teatro improvisadas. Esse estilo ficou conhecido como Commedia dell´Arte (Comédia da Arte), e ainda hoje existem trupes de teatro desse estilo, aqueles famosos grupos que andavam em uma charrete, e improvisavam espetáculos pelas cidades que passavam, fazendo de seu veículo o próprio palco, e de suas vidas a própria arte.

Colombina (Cris Vector)O Arlequim surgiu primeiramente com a função de divertir as pessoas durante os intervalos do espetáculo, porém foi ganhando expressão, chegando a fazer parte das estórias. No Brasil, a estória disseminada é a de que Pierrot, um apaixonado e sonhador, está perdidamente apaixonado por Colombina, uma moça simples, empregada de uma dama, e apaixonada por Arlequim.

Este é matreiro, malandro, adora travessuras, é invisível, somente é visto por idosos, damas novas de boa educação e crianças. Ou pode ser visto de relance pelas damas, quando lhes rouba um beijo, deixando Colombina enciumada, fazendo-a aprontar alguma ao Arlequim ou à moça beijada.

O Arlequim costuma dar seu coração às belas damas, que quando o comem se tornam oArlequim (Paul Cézanne - 1888/1890) próprio Arlequim. O objetivo do Pierrot é capturar esse coração, porém sempre falha devido aos intentos de Arlequim.

Esse é um breve relato sobre a estória dessas personagens tão conhecidas de nosso Carnaval. Porém vemos hoje que o sentido da arte e do romantismo se perdeu durante os anos, tornando o Carnaval uma festa banalizada e puramente comercial. A alegria dos foliões permanece, porém os objetivos de cada um são bem diferentes, e esses já conheço de outros Carnavais.